45 Graus

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José Maria Pimentel
Dec 02, 2020 59 min

#99(a) Desidério Murcho - “Todos devíamos saber mais de Lógica para pensarmos melhor”

Desidério Murcho é professor de Filosofia na Universidade Federal de Ouro Preto, no Brasil, e autor de mais de uma dezena de livros, sobretudo nas áreas da lógica, ética e filosofia da religião. -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar Esta foi uma conversa muito longa (o que, vou percebendo, tende a acontecer quando entrevisto filósofos). Para além disso, a conversa tem duas partes claramente distintas. Por isso, decidi dividi-la em dois episódios: este e outro que sairá na semana que vem. Nesta primeira parte falámos de lógica, a propósito do livro que o convidado publicou recentemente, chamado precisamente Lógica Elementar. A Lógica é uma área que nasceu originalmente na Filosofia, com Aristóteles, mas que deu um grande salto só no final do século XIX e é hoje estudada na matemática, e aplicada em áreas tão diferentes como as ciências da computação e a linguística. Na Filosofia, a lógica, na verdade, é tanto uma área de estudo como uma ferramenta que serve para conseguir raciocinar bem e que, por isso, é aplicadada para tratar problemas filosóficos de vários ramos, desde a ética à epistemologia. Conversámos, então, sobre porque é importante todos nós termos noções de lógica para pensarmos melhor, e falámos também da história da lógica, da relação com a ciência e da diferença entre dedução e indução, entre outros assuntos. Espero que gostem. Este é um tema por vezes árido, mas se há pessoa que o consegue tornar interessante é o Desidério, que junta, como vão ver, a profundidade de um filósofo à vivacidade de um apresentador de televisão. Índice da conversa: Livro do convidado: Lógica Elementar Por que é importante termos noções de lógica, e por que é uma área tão pouco divulgada? A Lógica dedutiva aristotélica e a caricatura que foi feita dela durante a Idade Média Lógica dos estoicos Matematização da lógica a partir do sec XIX Validade (conceito) Advento da indução com a Revolução Científica no sec XVII Problema da indução Robin George Collingwood Contraste da postura de humildade epistémica da Ciência com a lógica com base em princípios gerais da Filosofia clássica Enciclopédia de Diderot O debate na Filosofia entre Racionalismo vs Empirismo David Hume Idealismo Hegeliano Diferença indução vs dedução A desorganização inerente à linguagem e a dependência do contexto A incerteza subjacente à indução Lógica dedutiva Teorema de Bayes -- por que nos é útil para fazer previsões e compreender o mundo Porque não há uma lógica universal? Thomas Kuhn Obrigado aos mecenas do podcast: João Baltazar, Tiago Leite, Carlos Martins, Joana Faria Alves, Galaró family, Corto Lemos, Margarida Varela, Gustavo, Gonçalo Murteira Machado Monteiro, Filipe Bento Caires, Miguel Marques, Nuno Costa, Nuno e Ana, Francisco Hermenegildo, Mário Lourenço, João Ribeiro, Miguel Vassalo Abilio Silva, Joao Saro, Tiago Neves Paixão, Daniel Correia, Rita Mateus, António Padilha, Ricardo Duarte, Tiago Queiroz, Carmen Camacho, João Nelas, Francisco Fonseca, Diogo Sampaio Viana, José Soveral, Andre Oliveira, José Jesus, Andreia Esteves, Ana Sousa Amorim, Manuel Martins, João Bernardino, Sara Mesquita, Luís Costa, Ana Teresa Mota, Isabel Oliveira, Arune Bhuralal, Francisco Sequeira Andrade, ChaosSeeker, Ricardo Santos Vasco Sá Pinto, Rui Baldaia, Rui Carrilho, Luis Quelhas Valente, Tiago Pires, Mafalda Pratas, Renato Vasconcelos, Joana Margarida Alves Martins, Luis Marques, João Raimundo, Francisco Arantes, Francisco dos Santos, Mariana Barosa, Hugo Correia, Marta Baptista Coelho, João Castanheira, Pedro, rodrigo brazão, Nuno Gonçalves, Pedro Rebelo, Miguel Palhas, Duarte, Tomás Félix, Vasco Lima, Joao Pinto, Francisco Vasconcelos, João Moreira, isosamep, Telmo, José Oliveira Pratas, Jose Pedroso, João Diogo Silva, Marco Coelho, MANNA Porto, Joao Diogo, José Proença, Francisco Aguiar, Tiago Costa da Rocha, João Crispim, Paulo dos Santos, Abílio Mateus, João Pinho , Andrea Grosso, Miguel Lamela, Margarida Gonçalves, Afonso Martins, João Barbosa, Jose António Moreira, Luis Filipe, Sérgio Catalão, Alexandre Freitas, Renato Mendes, Carlos Manuel Lopes de Magalhães Lima, Maria Francisca Couto, Antonio Albuquerque, Pedro F. Finisterra, Francisco Santos, joana antunes, juu-san, Nelson Poças, Fernando Sousa, Francisco López Bermudez, Pedro Correia, MacacoQuitado, Paulo Ferreira, Gabriela, Carlos Silveira, Nuno Almeida, Diogo Rombo, Francisco Manuel Reis, Bruno Lamas, Daniel Almeida, Albino Ramos, Luis Miguel da Silva Barbosa, Inês Patrão, Patrícia Esquível , Diogo Silva, Fábio Mota, Vítor Araújo, Miguel Mendes, Luis Gomes, Angela Martins, Ana Batista, Alberto Santos Silva, Salomé Afonso, Cesar Correia, Cristiano Tavares, Susana Ladeiro, Pedro Miguel Pereira Vieira, Gil Batista Marinho, Jorge Soares, Maria Oliveira, Cheila Bhuralal, Bruno Machado, Maria Virginia Saraiva, João Pereira, Bruno Amorim Inácio, Francisco Valente, Nuno Balsas, Jorge Amorim, Nuno , Rui Vilão, João Ferreira, Ricardo Leitão, Vitor Filipe, João Bastos, Natália Ribeiro, Bernardo Pimentel, Pedro Gaspar, Hugo Domingues Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego Bio: Desidério Murcho (1965) estudou Filosofia na Universidade de Lisboa e depois no King’s College de Londres. É professor na Universidade Federal de Ouro Preto desde 2007. Autor de Filosofia em Directo (2011), um êxito editorial com mais de 21 mil exemplares vendidos, Sete Ideias Filosóficas que Toda a Gente Deveria Conhecer (2011), Pensar Outra Vez (2006), O Lugar da Lógica na Filosofia (2003) e Essencialismo Naturalizado (2002). Coautor dos livros Janelas para a Filosofia (2014), 50 Lições de Filosofia (2012-2013), entre outros, e organizador dos livros A Ética da Crença (2010), Viver para Quê? (2009) e Enciclopédia de Termos Lógico-Filosóficos (2006), Desidério Murcho participa habitualmente em congressos e conferências internacionais.
Nov 18, 2020 1 hr 46 min

#98 António Gomes - o eleitor português, o futuro dos jornais, big data e muito mais

António Gomes é director geral da GfK Metris, uma empresa que faz parte da multinacional de estudos de mercado GfK. O convidado tem uma carreira com mais de 25 anos nesta área de estudos de mercado, onde tem trabalhado para vários sectores e indústrias, destacando-se sector da Saúde, Comunicação Social, e estudos de opinião e político-eleitorais. Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar ->Aqui o inquérito para (i) o/a convidado/a que gostavam de voltar a ouvir no podcast e (ii) enviarem as vossas perguntas para o episódio especial de ‘perguntas dos ouvintes’. Como sabem, pelo tipo de temas que abordo, acabo por conversar muitas vezes com académicos. Não me posso queixar nada do resultado, mas, lembrei-me de convidar o António para o podcast precisamente porque a experiência prática dele na área dos estudos de mercado o leva a ter uma visão diferente em relação a uma série de temas. Acho que vão perceber o que quero dizer. E falámos, de facto, sobre imensos temas. Como o António tem estudado sobretudo os portugueses, nos nossos papéis diferentes de cidadãos, consumidores e espectadores, comecei por lhe pedir que descrevesse o que mostram os estudos sobre as nossas especificidades face a outros países. Daí partimos para discutir uma série de outros tópicos, desde as mudanças recentes no mercado audiovisual, com o surgimento do streaming, aos podcasts e ao futuro dos jornais, passando pela ameaça do big data à nossa privacidade e, ainda, como é a vida de quem gere uma empresa de estudos de mercado e tem que vender ideias muitas vezes arrojadas a clientes incautos (o António conta, quase no final, uma bela história sobre estas lides). De caminho, falámos ainda da visão do António em relação à ascensão do Chega, que, como sabem, apanhou desprevenidos a maioria dos opinion makers da opinião publicada. Atenção que a conversa foi gravada há 2/3 semanas -- ou seja, antes da polémica da última semana nos Açores...o que acaba por tornar ainda mais prescientes algumas observações do convidado. Índice da conversa: O que mostram os estudos de preferências sobre o que distingue os Portugueses enquanto cidadãos, consumidor e espectadores? Eleitores O bom senso do eleitor-tipo português Ministro Carlos Borrego e a piada sobre os hemofílicos Consumidores O efeito da crise do euro Qual vai ser o efeito da pandemia? Espectadores O crescente peso do online e do streaming O espaço que existe sempre para conteúdos agregadores O caso dos podcasts Serial, Joe Rogan Experience Podcast de NBA de Max Kellerman O que reserva o futuro para este meio? O futuro dos jornais Proposta de Gustavo Cardoso Economia comportamental O problema da globalização das elites para os conteúdos em língua local A dificuldade em criar novos conteúdos no mercado português O caso do Chega e de André Ventura. A polarização nas redes sociais Artigo Pedro Magalhães no Expresso: “Populismo em Portugal: um gigante adormecido” Especificidades culturais portuguesas A baixa ideologia do eleitor médio em Portugal Programa ‘Terra Nossa’ O papel histórico da “poligamia” Comportamento endogâmicos nas elites As elites tradicionais na sombra em portugal Futuro da democracia: assembleias aleatórias de cidadãos? Iniciativa de Emmanuel Macron Os júris nos EUA Filme Gene Hackman: Runaway Jury O big data e a falta de privacidade O que sobra para os estudos de mercado tradicionais com as novas tecnologias de big data? Empresas de market research e a dificuldade em vender ideias originais aos clientes empresas Livros recomendados: O Papa e Mussolini As Cruzadas Vistas pelos Árabes, de Amin Maalouf Obrigado aos mecenas do podcast: Paulo Peralta, Nuno Costa, Miguel Marques, Filipe Bento Caires, Goncalo Murteira Machado Monteiro, Gustavo, Margarida Varela, Corto Lemos, Joana Faria Alves, Carlos Martins, Tiago Leite, Salvador Cunha, João Baltazar, Rui Oliveira Gomes, Miguel Vassalo, Francisco Delgado Gonçalo Matos, Bruno Heleno, Emanuel Gouveia, Isabel Oliveira, Ana Teresa Mota, Luís Costa, Sara Mesquita, João Bernardino, Manuel Martins, Ana Sousa Amorim, Andreia Esteves, José Jesus, Andre Oliveira, José Soveral, Galaró family, Diogo Sampaio Viana, Rafael Santos, Francisco Fonseca, João Nelas, Carmen Camacho, Tiago Queiroz, Ricardo Duarte, António Padilha, Rita Mateus, Daniel Correia, Tiago Neves Paixão, Joao Saro, Abilio Silva. Joao Salvado, Vasco Sá Pinto, Mafalda Pratas, Rui Baldaia, Luis Quelhas Valente, Rui Carrilho, João Castanheira, Luis Marques, Joana Margarida Alves Martins, Tiago Pires, Francisco dos Santos, Francisco Arantes, João Raimundo, Renato Vasconcelos, Marta Baptista Coelho, Hugo Correia, Mariana Barosa, Miguel Palhas, Pedro Rebelo, Nuno Gonçalves, rodrigo brazão, Pedro, Vasco Lima, Tomás Félix, Duarte, José Galinha, José Oliveira Pratas, isosamep, João Moreira, Joao Pinto, Pedro alagoa, Francisco Aguiar, José Proença, Joao Diogo, Marco Coelho, João Diogo Silva, Jose Pedroso, João Crispim, Margarida Gonçalves, Miguel Lamela, Andrea Grosso, João Pinho, Abílio Mateus, Paulo dos Santos, Maria Oliveira, Sérgio Catalão, Luis Filipe, Jose António Moreira, João Barbosa, Fonsini, Maria Francisca Couto, Carlos Manuel Lopes de Magalhães Lima, Renato Mendes, Alexandre Freitas, Robertt, Tiago Costa da Rocha, Jorge Soares, Pedro Miguel Pereira Vieira, Cristiano Tavares, Francisco Santos, Pedro F. Finisterra, Antonio Albuquerque, Fernando Sousa, juu-san, joana antunes, Francisco Vasconcelos, Gabriela, Paulo Ferreira, MacacoQuitado - Twitter, Pedro Correia, Francisco López Bermúdez, Nuno Almeida, Carlos Silveira, Bruno Lamas, Francisco Manuel Reis, Diogo Rombo, Francisco Rocha, Nelson Poças, Fábio Mota, Diogo Silva, Patrícia Esquível, Inês Patrão, Luis Miguel da Silva Barbosa, Albino Ramos, Daniel Almeida, Salomé Afonso, Alberto Santos Silva, Ana Batista, Angela Martins, Luis Gomes, Miguel Mendes, Vítor Araújo, Gil Batista Marinho, Susana Ladeiro, Cesar Correia, Filipe Melo, Cheila Bhuralal, Ricardo Leitão, Vitor Filipe, João Bastos, Natália RIbeiro, André Balças, Bernardo Pimentel, Pedro Gaspar, Hugo Domingues Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego Bio: António Gomes, 51 anos licenciado em Sociologia. Director Geral da GfK Metris (, uma empresa do grupo GfK, uma multinacional de estudos de mercado), da qual foi fundador no ano de 1993. Tem uma carreira com mais de 25 anos em estudos de mercado trabalhando para vários sectores e indústrias, destacando-se sector da Saúde, Comunicação Social e estudos de opinião e político-eleitorais. Cumpriu dois mandatos como Presidente da Associação Portuguesa de empresas de Estudos de Mercado e Opinião. Ao longo de 20 anos foi Professor universitário leccionando Estudo de Mercado em diferentes universidades como Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da da Universidade Nova de Lisboa, Escola Superior comunicação Social de Lisboa, Universidade Católica, Porto Business School e Lisbon MBA.
Nov 05, 2020 1 hr 15 min

#97 Susana Peralta - Desigualdade(s)

Susana Peralta é professora de economia na Nova SBE e colunista no jornal Público. A convidada tem investigação sobretudo nas áreas da economia pública e economia política. -> Aqui o inquérito para (i) o/a convidado/a que gostavam de voltar a ouvir no podcast e (ii) enviarem as vossas perguntas para o episódio especial de ‘perguntas dos ouvintes’. -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar O episódio que vão ouvir foi gravado ao vivo, e transmitido online, no âmbito do festival de podcasts ‘Podes’. Vejam aqui o vídeo da conversa Índice da conversa: Porque falamos tanto hoje de desigualdade? Dados sobre desigualdade: World Inequality Lab; World Inequality Report 2018 Economia do desenvolvimento O crescimento económico vs pobreza Poupança Inquérito à Situação Financeira das Famílias (INE) Heterogeneidade na poupança e a necessidade de fazer “oversampling at the top” Problema da Iliteracia financeira em Portugal Aumento da desigualdade a nível mundial nas últimas décadas Livro: “Inequality: What Can Be Done”, de Anthony B. Atkinson Causas Globalização Efeito “winner-takes-all” Monopólios naturais Tecnologia Tecnológicas, artistas, desportistas J. K. Rowling, Ronaldo O problema da destruição dos empregos do meio Stiglitz e o mercado de trabalho enquanto um mundo de rendas Um aumento dos impostos para os rendimentos mais altos geraria uma diminuição da desigualdade mesmo no rendimento base. Salários dos CEOs Paper Thomas Piketty et al CEOs no mercado do petróleo Desigualdade de oportunidades (o que verdadeiramente interessa) Portugal: estudo da EDULOG sobre equidade no acesso ao ensino superior Londres: mapa ‘lives on the line’ Porque há tão poucos dados para estudo (microdados) em Portugal? BPLIM (Banco de Portugal) As especificidades da desigualdade em Portugal Dados sobre a desigualdade em Portugal Desigualdade comparada com outros países europeus Estudo Fundação Gulbenkian: “Só 24% dos jovens abaixo dos 30 anos têm casa própria” Monopsónio no mercado laboral O problema da educação Pesadelo na Cozinha Investigação de Francisco Queiró sobre o efeito da qualificação dos gestores no desempenho das empresas Luca David Opromolla e a importância da escala das empresas Em Portugal, a desigualdade é maior no rendimento ou no património? -> Sabemos como compara a desigualdade no património com os países europeus? Faz sentido um imposto sobre o património? Justeza Limitações (e.g. evasão fiscal dos que podem) Distorções no comportamento das pessoas Ideia de um imposto negativo sobre o rendimento Obrigado aos mecenas do podcast: Paulo Peralta, Nuno Costa, Miguel Marques, Filipe Bento Caires, Goncalo Murteira Machado Monteiro, Gustavo, Margarida Varela, Corto Lemos, Joana Faria Alves, Carlos Martins, Tiago Leite, Salvador Cunha, João Baltazar, Rui Oliveira Gomes, Miguel Vassalo, Francisco Delgado Gonçalo Matos, Bruno Heleno, Emanuel Gouveia, Isabel Oliveira, Ana Teresa Mota, Luís Costa, Sara Mesquita, João Bernardino, Manuel Martins, Ana Sousa Amorim, Andreia Esteves, José Jesus, Andre Oliveira, José Soveral, Galaró family, Diogo Sampaio Viana, Rafael Santos, Francisco Fonseca, João Nelas, Carmen Camacho, Tiago Queiroz, Ricardo Duarte, António Padilha, Rita Mateus, Daniel Correia, Tiago Neves Paixão, Joao Saro, Abilio Silva. Joao Salvado, Vasco Sá Pinto, Mafalda Pratas, Rui Baldaia, Luis Quelhas Valente, Rui Carrilho, João Castanheira, Luis Marques, Joana Margarida Alves Martins, Tiago Pires, Francisco dos Santos, Francisco Arantes, João Raimundo, Renato Vasconcelos, Marta Baptista Coelho, Hugo Correia, Mariana Barosa, Miguel Palhas, Pedro Rebelo, Nuno Gonçalves, rodrigo brazão, Pedro, Vasco Lima, Tomás Félix, Duarte, José Galinha, José Oliveira Pratas, isosamep, João Moreira, Joao Pinto, Pedro alagoa, Francisco Aguiar, José Proença, Joao Diogo, Marco Coelho, João Diogo Silva, Jose Pedroso, João Crispim, Margarida Gonçalves, Miguel Lamela, Andrea Grosso, João Pinho, Abílio Mateus, Paulo dos Santos, Maria Oliveira, Sérgio Catalão, Luis Filipe, Jose António Moreira, João Barbosa, Fonsini, Maria Francisca Couto, Carlos Manuel Lopes de Magalhães Lima, Renato Mendes, Alexandre Freitas, Robertt, Tiago Costa da Rocha, Jorge Soares, Pedro Miguel Pereira Vieira, Cristiano Tavares, Francisco Santos, Pedro F. Finisterra, Antonio Albuquerque, Fernando Sousa, juu-san, joana antunes, Francisco Vasconcelos, Gabriela, Paulo Ferreira, MacacoQuitado - Twitter, Pedro Correia, Francisco López Bermúdez, Nuno Almeida, Carlos Silveira, Bruno Lamas, Francisco Manuel Reis, Diogo Rombo, Francisco Rocha, Nelson Poças, Fábio Mota, Diogo Silva, Patrícia Esquível, Inês Patrão, Luis Miguel da Silva Barbosa, Albino Ramos, Daniel Almeida, Salomé Afonso, Alberto Santos Silva, Ana Batista, Angela Martins, Luis Gomes, Miguel Mendes, Vítor Araújo, Gil Batista Marinho, Susana Ladeiro, Cesar Correia, Filipe Melo, Cheila Bhuralal, Ricardo Leitão, Vitor Filipe, João Bastos, Natália RIbeiro, André Balças, Bernardo Pimentel, Pedro Gaspar, Hugo Domingues Bio: Susana Peralta é professora Associada da Nova SBE desde 2004, doutorada em economia da Université catholique de Louvain, na Bélgica. Tem investigação publicada em temas de federalismo fiscal, economia política e concorrência fiscal, em revistas da especialidade, incluindo The Economic Journal, Journal of Public Economics, Journal of Public Economic Theory, Journal of International Economics, Regional Science and Urban Economics, e Journal of Urban Economics. É professora associada, com agregação, na Nova School of Business and Economics, à qual se juntou em 2004. Ensina ou ensinou Economia Pública, Teoria dos Jogos, Economia da Pobreza, Microeconomia. Já foi directora académica do Mestrado em Economia, do Mestrado de Investigação em Economia, e do Doutoramento em Economia na Nova SBE. Faz parte do Comité de Coordenação do Doutoramento em Economia. É co-organizadora da conferência bi-anual Lisbon Meeting on Economics and Political Science. Foi coordenadora da área científica de economia da Fundação Francisco Manuel dos Santos entre 2014 e 2018. É contribuinte regular do Jornal Público.
Oct 22, 2020 1 hr 30 min

#96 Nuno Palma - “Afinal, quantos séculos tem o atraso económico de Portugal?”

Nuno Palma é professor de economia na Universidade de Manchester e investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Tem-se dedicado sobretudo à área da História Económica, que foi o tema da nossa conversa. -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar Lembram-se do episódio com Henrique Leitão, que nos fez passar a ver de forma muito diferente a história da revolução científica? Esta conversa com o Nuno Palma suscitou-me a mesma reacção, mas em relação à história do desenvolvimento económico. Graças à investigação do Nuno, hoje sabemos melhor como evoluiu a economia, e o nível de vida, dos países da Europa ocidental. Para além disso, temos também uma ideia melhor das causas que explicam porque uns sítios se desenvolveram mais do que outros; e ainda, tão ou mais importante, quando começou essa divergência de destinos entre países como Portugal e a Inglaterra. Por exemplo, em relação a Portugal, o convidado fez, juntamente com Jaime Reis, um cálculo da evolução do PIB por pessoa desde 1527(!). E, como vão ver, há uma série de surpresas face ao que seriam, provavelmente, as vossas expectativas (e a minha). E como é que calcularam o PIB para uma época tão recuada? Não é fácil. Basicamente, tiveram de recorrer à informação que era recolhida na altura, sobretudo: livros de contabilidade de instituições como mosteiros, hospitais, ou a Universidade de Coimbra, onde constava informação sobre, por exemplo, preços e salários pagos. Noutro trabalho, este feito com António Henriques, o convidado tentou medir já não o crescimento da economia, mas as suas causas, tentando aferir a evolução comparada da qualidade das instituições entre Portugal, Espanha e Inglaterra logo desde 1385(!), até 1800. Mais uma vez, os resultados foram surpreendentes. Mas porquê medir a qualidade das instituições? Porque cada vez mais percebemos que o que determina o desenvolvimento económico dos países -- ainda hoje --, mais do que políticas económicas no papel, e para lá dos recursos naturais, é a qualidade das suas instituições. Instituições aqui significa, por exemplo, as limitações impostas ao poder executivo ou o cumprimento dos contratos. Em termos simples, desenvolvem-se os países cujas instituições permitem e encorajam as pessoas a dedicarem-se a atividades produtivas; não se desenvolvem aqueles onde o poder está concentrado nas mãos de uma elite, que vive à custa do resto da sociedade. Soa-vos familiar? Se têm curiosidade por estes temas, vão de certeza gostar desta conversa. Uma nota apenas para a qualidade do som: vão notar que o som do convidado está pior no último terço, pois tivemos um problema técnico. Nota-se uma diferença óbvia, mas creio que não afecta a compreensão. Índice da conversa: Investigação do convidado Evolução das instituições e do PIB per capita português entre ~1500 e ~1750 Como comparava o PIB per capita português com o do resto da Europa Ocidental entre os secs XVI e XVIII Jaime Reis Qual foi a verdadeira importância dos Descobrimentos na economia portuguesa? Impacto do Brasil no sec XVIII Maldição dos recursos naturais Dutch disease O ‘absolutismo’ no sec XVIII em Portugal Efeito do terramoto de 1755 Marquês de Pombal Comparação com o efeito da Peste Negra na Idade Média A mentalidade das elites da época Corrupção e captura do estado Rent seeking Livro: J. H. Elliott - Empires of the Atlantic World: Britain and Spain in America 1492-1830 A Mesta Daron Acemoglu e James A. Robinson - Why Nations Fail: The Origins of Power, Prosperity, and Poverty Paperback António Castro Henriques O problema, os efeitos negativos da falta de diversidade cultural na área da história academia que levar A conquistas no Brasil à Holanda (Companhia das Índias Ocidentais) Evolução das instituições inglesas O que é que aconteceu em Inglaterra em enviados do século XVII para que as instituições subitamente melhorassem imenso? Guerra civil Catarina de Bragança Luís de Meneses, Conde da Ericeira Tratado de Methuen Jorge Borges de Macedo Evolução das instituições de Portugal e Espanha Perda da independência em 1580 Os concelhos medievais Teoria populacional malthusiana O que aconteceu em Portugal depois de 1750 PIB per capita em 1850 era igual ao de 1530 As mudanças ocorridas no sec XIX O Estado Novo História Económica vs História tradicional História contrafactual História Económica vs outras disciplinas da Economia Crítica a Melissa Dell & escola Acemoglu Blog do convidado: Portugal no longo prazo Recomendações Livro: Thomas Penn - ‘Winter King: The Dawn of Tudor England’ Artigo: Jaime Reis: ‘O atraso económico português em perspectiva histórica (1860-1913)’ Obrigado aos mecenas do podcast: Paulo Peralta, Nuno Costa, Miguel Marques, Filipe Bento Caires, Goncalo Murteira Machado Monteiro, Gustavo, Margarida Varela, Corto Lemos, Joana Faria Alves, Carlos Martins, Tiago Leite, Salvador Cunha, João Baltazar, Rui Oliveira Gomes, Miguel Vassalo, Francisco Delgado Gonçalo Matos, Bruno Heleno, Emanuel Gouveia, Isabel Oliveira, Ana Teresa Mota, Luís Costa, Sara Mesquita, João Bernardino, Manuel Martins, Ana Sousa Amorim, Andreia Esteves, José Jesus, Andre Oliveira, José Soveral, Galaró family, Diogo Sampaio Viana, Rafael Santos, Francisco Fonseca, João Nelas, Carmen Camacho, Tiago Queiroz, Ricardo Duarte, António Padilha, Rita Mateus, Daniel Correia, Tiago Neves Paixão, Joao Saro, Abilio Silva. Joao Salvado, Vasco Sá Pinto, Mafalda Pratas, Rui Baldaia, Luis Quelhas Valente, Rui Carrilho, João Castanheira, Luis Marques, Joana Margarida Alves Martins, Tiago Pires, Francisco dos Santos, Francisco Arantes, João Raimundo, Renato Vasconcelos, Marta Baptista Coelho, Hugo Correia, Mariana Barosa, Miguel Palhas, Pedro Rebelo, Nuno Gonçalves, rodrigo brazão, Pedro, Vasco Lima, Tomás Félix, Duarte, José Galinha, José Oliveira Pratas, isosamep, João Moreira, Joao Pinto, Pedro alagoa, Francisco Aguiar, José Proença, Joao Diogo, Marco Coelho, João Diogo Silva, Jose Pedroso, João Crispim, Margarida Gonçalves, Miguel Lamela, Andrea Grosso, João Pinho, Abílio Mateus, Paulo dos Santos, Maria Oliveira, Sérgio Catalão, Luis Filipe, Jose António Moreira, João Barbosa, Fonsini, Maria Francisca Couto, Carlos Manuel Lopes de Magalhães Lima, Renato Mendes, Alexandre Freitas, Robertt, Tiago Costa da Rocha, Jorge Soares, Pedro Miguel Pereira Vieira, Cristiano Tavares, Francisco Santos, Pedro F. Finisterra, Antonio Albuquerque, Fernando Sousa, juu-san, joana antunes, Francisco Vasconcelos, Gabriela, Paulo Ferreira, MacacoQuitado - Twitter, Pedro Correia, Francisco López Bermúdez, Nuno Almeida, Carlos Silveira, Bruno Lamas, Francisco Manuel Reis, Diogo Rombo, Francisco Rocha, Nelson Poças, Fábio Mota, Diogo Silva, Patrícia Esquível, Inês Patrão, Luis Miguel da Silva Barbosa, Albino Ramos, Daniel Almeida, Salomé Afonso, Alberto Santos Silva, Ana Batista, Angela Martins, Luis Gomes, Miguel Mendes, Vítor Araújo, Gil Batista Marinho, Susana Ladeiro, Cesar Correia, Filipe Melo, Cheila Bhuralal, Ricardo Leitão, Vitor Filipe, João Bastos, Natália RIbeiro, André Balças, Bernardo Pimentel, Pedro Gaspar, Hugo Domingues Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego Bio: Professor associado no Departamento de Economia da Universidade de Manchester, investigador do ICS da Universidade de Lisboa e investigador afiliado do CEPR. Anteriormente, foi Professor Auxiliar no Departamento de Economia, Econometria e Finanças da Universidade de Groningen, e Max Weber Fellow na European University Institute. Formado pela Universidade de Lisboa e pela London School of Economics. Principais interesses de investigação incluem história económica, macroeconomia e economia monetária, desenvolvimento e crescimento, e economia política.
Oct 07, 2020 1 hr 12 min

#95 Carlos Moedas - O presente e o futuro da União Europeia

Carlos Moedas dispensa grandes apresentações. Engenheiro de formação, é atualmente administrador da Fundação Gulbenkian e foi, até ao final do ano passado, comissário europeu com a pasta da Investigação, Ciência e Inovação, responsável pela gestão do maior programa de ciência do mundo (80 mil milhões de euros). Anteriormente, foi o responsável no governo de Passos Coelho pela coordenação do Programa de Ajustamento. Mas a carreira política veio só depois dos 40 anos - antes, teve uma carreira ligada à banca de investimento e investimento imobiliário. -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar O pretexto para esta conversa foi o livro lançado pelo convidado já este ano (mesmo antes da pandemia), ‘Vento Suão - Portugal e a Europa’, um livro que reúne as crónicas semanais que publicou durante os anos de comissário. Sendo o autor dessas crónicas comissário europeu, uma espécie de ministro do governo da Europa, está longe de ser um observador imparcial da União Europeia, mas, ao mesmo tempo, alguém que tem uma perspectiva rara dos meandros da Europa e, em particular no caso do convidado, alguém que tem uma visão para o projecto europeu. Foi essa visão que tentei compreender -- e também desafiar, a partir da minha posição também de europeísta, mas um não tão optimista em relação ao estado actual e ao potencial real da UE. Durante esta hora e picos de conversa, falámos sobre vários aspectos da Europa, mas acabámos por regressar sempre a dois, em particular: um deles é a forma como a governação da UE está organizada, num quadro institucional peculiar que gera lentidão e uma tensão permanente entre as instituições comunitárias, como a Comissão, e os vários governos nacionais (como se viu ainda recentemente na negociação do pacote de estímulo pós-pandemia; por agora, a tensão desvaneceu, mas as causas mantêm-se). O outro aspecto de que falámos é menos tangível mas é o que verdadeiramente (às vezes quase nos esquecemos) é a base de qualquer projecto de integração política: uma noção de comunidade. Neste caso, será que temos dado verdadeiramente passos para construir uma comunidade cívica à escala da Europa, para lá dos velhos Estados-nação? No último trecho, tivemos ainda tempo para discutir a visão do convidado sobre o futuro, em particular sobre o impacto das alterações que o digital veio trazer, nomeadamente sobre nas democracias, que terão de se reinventar se querem sobreviver. É uma altura interessante para ter desta discussão, uma vez que pandemia (e também falamos disso) veio tornar ainda mais presentes estas tecnologias Índice da conversa: Livro de crónicas do convidado: Vento Suão - Portugal e a Europa União Europeia Porque é importante a UE Livro: The Brussels Effect: How the European Union Rules the World Kindle Edition, de Anu Bradford California effect Tensão Comissão Europeia vs. Conselho -> Continua a faltar uma ‘nação’ europeia? A crise do Euro O efeito da pandemia Pascal Lamy Stefan Zweig - Appels aux Européens Os frugais Europa lidera no top 10% de artigos científicos mais citados -> Que melhorias institucionais são necessárias na UE? Regra da unanimidade Spitzenkandidat -> O que explica porque algumas áreas da governação foram transferidas para a UE e outras não? As audições aos futuros comissários no Parlamento Europeu O futuro da democracia representativa na era digital Experiência em França, com cidadãos a participar em assembleias deliberativas O papel do digital na sociedade pós-pandemia Livros recomendados The Usefulness of Useless Knowledge, de Abraham Flexner Philippe Aghion Kishore Mahbubani Breve História da Europa, de Simon Jenkins Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego Obrigado aos mecenas do podcast: Paulo Peralta, Nuno Costa, Miguel Marques, Filipe Bento Caires, Goncalo Murteira Machado Monteiro, Gustavo, Margarida Varela, Corto Lemos, Joana Faria Alves, Carlos Martins, Tiago Leite, Salvador Cunha, João Baltazar, Rui Oliveira Gomes, Miguel Vassalo, Francisco Delgado Gonçalo Matos, Bruno Heleno, Emanuel Gouveia, Isabel Oliveira, Ana Teresa Mota, Luís Costa, Sara Mesquita, João Bernardino, Manuel Martins, Ana Sousa Amorim, Andreia Esteves, José Jesus, Andre Oliveira, José Soveral, Galaró family, Diogo Sampaio Viana, Rafael Santos, Francisco Fonseca, João Nelas, Carmen Camacho, Tiago Queiroz, Ricardo Duarte, António Padilha, Rita Mateus, Daniel Correia, Tiago Neves Paixão, Joao Saro, Abilio Silva. Joao Salvado, Vasco Sá Pinto, Mafalda Pratas, Rui Baldaia, Luis Quelhas Valente, Rui Carrilho, João Castanheira, Luis Marques, Joana Margarida Alves Martins, Tiago Pires, Francisco dos Santos, Francisco Arantes, João Raimundo, Renato Vasconcelos, Marta Baptista Coelho, Hugo Correia, Mariana Barosa, Miguel Palhas, Pedro Rebelo, Nuno Gonçalves, rodrigo brazão, Pedro, Vasco Lima, Tomás Félix, Duarte, José Galinha, José Oliveira Pratas, isosamep, João Moreira, Joao Pinto, Pedro alagoa, Francisco Aguiar, José Proença, Joao Diogo, Marco Coelho, João Diogo Silva, Jose Pedroso, João Crispim, Margarida Gonçalves, Miguel Lamela, Andrea Grosso, João Pinho, Abílio Mateus, Paulo dos Santos, Maria Oliveira, Sérgio Catalão, Luis Filipe, Jose António Moreira, João Barbosa, Fonsini, Maria Francisca Couto, Carlos Manuel Lopes de Magalhães Lima, Renato Mendes, Alexandre Freitas, Robertt, Tiago Costa da Rocha, Jorge Soares, Pedro Miguel Pereira Vieira, Cristiano Tavares, Francisco Santos, Pedro F. Finisterra, Antonio Albuquerque, Fernando Sousa, juu-san, joana antunes, Francisco Vasconcelos, Gabriela, Paulo Ferreira, MacacoQuitado - Twitter, Pedro Correia, Francisco López Bermúdez, Nuno Almeida, Carlos Silveira, Bruno Lamas, Francisco Manuel Reis, Diogo Rombo, Francisco Rocha, Nelson Poças, Fábio Mota, Diogo Silva, Patrícia Esquível, Inês Patrão, Luis Miguel da Silva Barbosa, Albino Ramos, Daniel Almeida, Salomé Afonso, Alberto Santos Silva, Ana Batista, Angela Martins, Luis Gomes, Miguel Mendes, Vítor Araújo, Gil Batista Marinho, Susana Ladeiro, Cesar Correia, Filipe Melo, Cheila Bhuralal, Ricardo Leitão, Vitor Filipe, João Bastos, Natália RIbeiro, André Balças, Bernardo Pimentel, Pedro Gaspar, Hugo Domingues Bio: Carlos Moedas nasceu em Beja, em 1970. É licenciado em Engenharia Civil pelo Instituto Superior Técnico. Frequentou a École Nationale des Ponts et Chaussées de Paris. Em 1998, obteve um MBA – Master of Business Administration – na Universidade de Harvard. Iniciou a carreira no grupo Suez, em França, trabalhou vários anos em Londres e criou a sua própria empresa em Portugal. Em 2011, foi eleito deputado e tornou-se secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro do XIX Governo Constitucional, com responsabilidade pela coordenação do Programa de Ajustamento. Em 2014, tornou-se o quinto português a exercer as funções de comissário europeu, tendo gerido o maior programa de ciência do mundo (80 mil milhões de euros). É o mais jovem membro da Academia de Engenharia de Portugal. É medalha de ouro da Ordem dos Engenheiros e membro honorário da Academia de Ciência Africana. Recebeu o doutoramento honoris causa em Direito pela Universidade de Cork, na Irlanda, e outro doutoramento honoris causa pela École Supérieure de Commerce de Paris. É hoje administrador executivo da Fundação Calouste Gulbenkian.
Sep 24, 2020 1 hr 44 min

#94 Filipe Nobre Faria - Os limites evolutivos da (nossa) moral liberal

Filipe Nobre Faria é doutorado em Teoria Política (2016) pelo King's College London e professor na Universidade Nova de Lisboa, com investigação nas áreas de filosofia política e ética . -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar Conversámos a propósito do livro recente do convidado, ‘The Evolutionary Limits of Liberalism’ (os limites evolutivos do liberalismo). É um tema que vem mesmo a calhar, tendo em conta que junta filosofia política à biologia evolutiva, precisamente dois assuntos que estou farto de discutir aqui no 45 Graus. Resumidamente, no livro o Filipe faz uma análise à sustentabilidade da moral liberal, típica das democracias ocidentais, à luz da teoria evolucionista de Darwin. Por ‘moral liberal’ entenda-se a primazia dada ao indivíduo, que está na base das ideologias dos principais partidos do sistema nos países ocidentais (e não só), que defendem, em maior ou menor medida, princípios como a democracia, mercados livres, estado de direito, direitos civis, direitos humanos, secularismo, igualdade de gênero, igualdade racial , internacionalismo, liberdade de expressão, etc etc. Na sua análise, o Filipe tenta, então, medir directamente a ‘fitness’ evolutiva (i.e., a adaptabilidade) desta moral à luz da selecção natural: ou seja, avalia em que medida é que uma moral baseada no primado da liberdade individual gera ou não coesão e promove a natalidade dos grupos. As conclusões, já vão ver, não são as melhores para o paradigma liberal. Este é um trabalho oportuno, porque ajuda a enquadrar a raiz de alguns dos desafios que o modelo liberal enfrenta actualmente; sejam as ameaças que vêm de dentro, como a ascensão de movimentos populistas e anti-sistema, sejam as ameaças que vêm de fora, como a aparente perda de força das democracias no plano internacional face a Estados autocráticos como a China ou a Rússia, com a sua visão a longo-prazo e menores pruridos éticos. Preparem-se: como todas as conversas filosóficas, que nos forçam a revisitar as fundações das nossas convicções, esta foi uma conversa desafiante e, por vezes, admito que algo confusa de seguir, tal o número de dimensões em cima da mesa e a complexidade do objecto de análise. No final, embora discorde de alguns aspectos da tese do Filipe, foi sem dúvida uma conversa muito estimulante, que me deixou a pensar nos dias a seguir. Índice da conversa: Liberalismo Modelo de seleção de grupo (multinível) A função da moralidade Aptidão reprodutiva vs prosperidade Falácia naturalista Revolução cultural chinesa A vida nos Kibbutz Teoria do mismatch Gene-culture coevolution Hayek e a vantagem evolutiva do liberalismo Críticas contemporâneas ao liberalismo quer à esquerda quer à direita Jogos de soma positiva Lógica normativa vs naturalista O caso de Portugal, que é um país considerado colectivista (à escala europeia), mas tem das mais baixas taxas de natalidade Hofstede Taxas de natalidade Capital social Dados do World Social Capital Monitor A sedução dos regimes autocráticos Será que a teoria da selecção de grupo caiu em desuso após a II GM em virtude da aversão das sociedades a ideologias colectivistas? Teoria da escolha racional A União Europeia e a dificuldade em criar uma comunidade cultural à escala europeia A coexistência, nas sociedades contemporâneas ocidentais, da moral liberal com outras morais, colectivistas e/ou tradicionais Jonathan Haidt e a Teoria dos fundamentos morais O exemplo dos Amish: Amish Projected To Overtake The Current US Population In 215 Years, If Growth Rates Continue> David Benatar - livro Better Never to Have Been: The Harm of Coming into Existence> A (alegada) insustentabilidade do Liberalismo ajuda a explicar a ascensão dos movimentos populistas? Karl Polanyi Recomendações do convidado para gerar uma moral mais sustentável nas sociedades contemporâneas Livro recomendado: The WEIRDest People in the World: How the West Became Psychologically Peculiar and Particularly Prosperous>, de Joseph Henrich Obrigado aos mecenas do podcast: Paulo Peralta, Eduardo Correia de Matos, João Baltazar, Salvador Cunha, Rui Oliveira Gomes, Tiago Leite, Joana Faria Alves, Carlos Martins, Corto Lemos, Margarida Varela, Gustavo, Goncalo Machado Monteiro, Filipe Bento Caires, Rui Barbosa Tomás Costa, Tiago Neves Paixão, Joao Saro, Rita Mateus, Daniel Correia, António Padilha, Abilio Silva, Ricardo Duarte, Tiago Queiroz, Joao Salvado, Francisco Fonseca, João Nelas, Diogo Sampaio Viana, Rafael Santos, Carmen Camacho, José Soveral, Andre Oliveira, José Jesus, Ana Sousa Amorim, Luís Costa, Sara Mesquita, João Bernardino, Manuel Martins Vasco Sá Pinto, Rui Baldaia, Luis Quelhas Valente, Rui Carrilho, João Castanheira, Luis Marques, Joana Margarida Alves Martins, Tiago Pires, Francisco dos Santos, João Raimundo, Renato Vasconcelos, Marta Baptista Coelho, Hugo Correia, Mariana Barosa, Miguel Palhas, Pedro Rebelo, Nuno Gonçalves, rodrigo brazão, Pedro, Vasco Lima, Tomás Félix, José Carlos Abrantes, Duarte, José Galinha, José Oliveira Pratas, isosamep, João Moreira, Joao Pinto, Pedro alagoa, Francisco Aguiar, José Proença, Joao Diogo, JP, Marco Coelho, João Diogo Silva, Jose Pedroso, António Amaral, João pinto, Rodrigo Murteira Pedrosa, João Jaime, João Crispim, Ricardo Nogueira, Margarida Gonçalves, Miguel Lamela, Andrea Grosso, João Pinho, Andre Peralta Santos, Abílio Mateus, Paulo dos Santos, Telmo, Cátia João Prudêncio, Sérgio Catalão, joao Martins, Luis Filipe, Jose António Moreira, João Barbosa, Fonsini, Maria Francisca Couto, Carlos Magalhães Lima, Renato Mendes, Andreia Esteves, Alexandre Freitas, Tiago Costa da Rocha, Francisco Santos, Pedro F. Finisterra, Guilherme Pimenta Jacinto, Antonio Albuquerque, Fernando Sousa, juu-san, joana antunes, Francisco Vasconcelos, Gabriela, Paulo Ferreira, MacacoQuitado - Twitter, Pedro Correia, Francisco López Bermudez, Nuno Almeida, Carlos Silveira, Bruno Lamas, Francisco Manuel Reis, Diogo Rombo, Francisco Rocha, Fábio Mota, Diogo Silva, Tiago Gameiro, Pedro Conceição, Patrícia Esquível, Inês Patrão, Luis Miguel da Silva Barbosa, Albino Ramos, Daniel Almeida, Ricardo Campos, Ricardo Leitão, Vítor Filipe, João Bastos, Natália Ribeiro, André Balças, Hugo Domingues, Filipe Melo Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego Bio: Filipe Nobre Faria investiga e lecciona em filosofia política e ética na Universidade Nova de Lisboa. Anteriormente, obteve o seu doutoramento em Teoria Política (2016) pelo King's College London e o seu mestrado em Filosofia, Política e Economia (2011) pela Universidade de East Anglia. Leccionou também nas áreas de teoria política e de economia política no King's College London. O seu principal interesse de investigação reside em aplicar o conhecimento das ciências comportamentais e evolutivas a questões de filosofia social e política.
Aug 05, 2020 1 hr 31 min

#93 Alice Ramos - Estereótipos, preconceito e racismo

Alice Ramos é doutorada em Ciências Sociais, com especialidade em Sociologia pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, onde é actualmente investigadora. A convidada tem-se dedicado a analisar o impacto conjugado de factores individuais e contextos sociais nas atitudes face aos imigrantes e no preconceito racial. Desde janeiro de 2018, é também a Coordenadora Nacional do Inquérito Social Europeu e do Estudo Europeu dos Valores. -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar E foi sobretudo isto que me fez convidá-la para o 45 Graus. O Inquérito Social Europeu é uma sondagem realizada a cada dois anos, desde 2001, com o objetivo de avaliar as atitudes e comportamentos dos cidadãos de 24 países europeus sobre um leque muito variado de assuntos. Mas, no caso português, é sobretudo uma área específica que traz os resultados do inquérito para a ribalta: o nível do racismo em Portugal, porque o inquérito indica que é desconfortavelmente mais elevado do que tendemos a achar. Os resultados da versão mais recente do inquérito foram foram divulgados há cerca de um mês e mostram que quase ⅔ dos portugueses manifestam pelo menos uma forma de racismo, e apenas cerca de 10% da população (repito: 10%) discorda de todas as crenças que o inquérito identifica como racistas. Como é fácil de adivinhar, estes números são como uma bomba que cai no debate público e na discussão sobre a dimensão do racismo em Portugal, um debate antigo mas que tem ganho tracção nos últimos anos, à boleia de estudos como este mas, talvez mais ainda, de um activismo crescente que chama a atenção quer para desigualdades estruturais quer para (alegada) violência policial sobre minorias e crimes com motivações racistas. Foi isso que aconteceu no caso recente do assassinato do actor Bruno Candé, que aconteceu (numa coincidência funesta) poucos dias depois de termos gravado este episódio… (sendo que, neste caso, tudo indica que o preconceito racista do homicida teve, no mínimo, influência no crime). Avaliar a dimensão do racismo em Portugal é, evidentemente, um exercício muito complexo, até por ter várias dimensões, mas, claro, a discussão nas redes sociais rapidamente se encarrega, com a sua pulsão para o pensamento binário e comportamento tribal, de politizar a discussão e de a reduzir a um debate entre dois campos opostos: o dos que garantem que Portugal “é um país racista” (excluindo, claro, depreende-se, os virtuosos autores do diagnóstico) e o campo dos que continuam a negá-lo. Por isso, decidi convidar a Alice Ramos para o 45 Graus, para não só tentar compreender, com a calma que um podcast proporciona, a dimensão, as expressões e, sobretudo, as causas do racismo em Portugal, mas também, de caminho, fazê-lo como deve ser, a partir da base, isto é, começando por tentar compreender por que existem e como funcionam aspectos quase universais da psicologia humana e da sociedade, como os estereótipos, o preconceito e os comportamentos discriminatórios. Nota: há alguns conceitos que a convidada usa aqui e ali, e que todos usamos correntemente mas que, nesta área têm um significado mais específico: Os valores são os princípios com que orientamos a nossa vida, são aquilo que nos permite distinguir o que é bom do que é mau Os nossos valores influenciam as nossas atitudes, que são predisposições para agir de uma determinada forma, avaliações sobre situações específicas; o preconceito é uma atitude, mas também o é a nossa opinião face à legalização do aborto ou face à intervenção do Estado na economia, etc. Finalmente, os comportamentos, são as atitudes em acção: é o que verdadeiramente fazemos. A discriminação é um comportamento. Índice da conversa: O que são, e o que distingue, estereótipos, preconceito e discriminação? A utilidade dos estereótipos enquanto mecanismo cognitivo (heurística) Preconceito Implicit Association Test Faça aqui! Eye track Como combater os preconceitos que temos, sem deixar de colher os benefícios dos estereótipos enquanto mecanismo cognitivo? Distância social enquanto proxy para o preconceito Diferentes tipos de preconceito Racismo Inquérito Social Europeu -- ESS Não há culturas melhores do que outras? Causas do racismo em Portugal “O problema do racismo é que não ensinamos os nossos filhos explicitamente a não serem racistas” Desigualdades no acesso à educação Deputados das colónias durante o Estado Novo Percepção de ameaça: realista e simbólica Variáveis explicativas das diferenças individuais no racismo: idade, educação, diferenças de personalidade, valores, inteligência(?) Labelling experience Experiências com “stereotype priming” Experiência de Jane Elliot “A class divided” Série “Botched” Livros recomendados: The Finer Points of Sausage Dogs, de Alexander McCall Smith O Visconde Partido Ao Meio, de Italo Calvino -> O bizarro guia de conversação Português - Inglês Obrigado aos mecenas do podcast: Paulo Peralta, Eduardo Correia de Matos, João Baltazar, Salvador Cunha, Rui Oliveira Gomes, Tiago Leite, Joana Faria Alves, Carlos Martins, Corto Lemos, Margarida Varela, Gustavo, Goncalo Machado Monteiro, Filipe Bento Caires, Rui Barbosa, Sérgio Vicente Tomás Costa, Tiago Neves Paixão, Joao Saro, Rita Mateus, Daniel Correia, António Padilha, Abilio Silva, Ricardo Duarte, Tiago Queiroz, Joao Salvado, Francisco Fonseca, João Nelas, Diogo Sampaio Viana, Rafael Santos, Carmen Camacho, José Soveral, Andre Oliveira, José Jesus, Ana Sousa Amorim, Luís Costa, Sara Mesquita, João Bernardino, Manuel Martins Vasco Sá Pinto, Rui Baldaia, Luis Quelhas Valente, Rui Carrilho, João Castanheira, Luis Marques, Joana Margarida Alves Martins, Tiago Pires, Francisco dos Santos, João Raimundo, Renato Vasconcelos, Marta Baptista Coelho, Hugo Correia, Mariana Barosa, Miguel Palhas, Pedro Rebelo, Nuno Gonçalves, rodrigo brazão, Pedro, Vasco Lima, Tomás Félix, José Carlos Abrantes, Duarte, José Galinha, José Oliveira Pratas, isosamep, João Moreira, Joao Pinto, Pedro alagoa, Francisco Aguiar, José Proença, Joao Diogo, JP, Marco Coelho, João Diogo Silva, Jose Pedroso, António Amaral, João pinto, Rodrigo Murteira Pedrosa, João Jaime, João Crispim, Ricardo Nogueira, Margarida Gonçalves, Miguel Lamela, Andrea Grosso, João Pinho, Andre Peralta Santos, Abílio Mateus, Paulo dos Santos, Telmo, Cátia João Prudêncio, Sérgio Catalão, joao Martins, Luis Filipe, Jose António Moreira, João Barbosa, Fonsini, Maria Francisca Couto, Carlos Magalhães Lima, Renato Mendes, Andreia Esteves, Alexandre Freitas, Tiago Costa da Rocha, Francisco Santos, Pedro F. Finisterra, Guilherme Pimenta Jacinto, Antonio Albuquerque, Fernando Sousa, juu-san, joana antunes, Francisco Vasconcelos, Gabriela, Paulo Ferreira, MacacoQuitado - Twitter, Pedro Correia, Francisco López Bermudez, Nuno Almeida, Carlos Silveira, Bruno Lamas, Francisco Manuel Reis, Diogo Rombo, Francisco Rocha, Fábio Mota, Diogo Silva, Tiago Gameiro, Pedro Conceição, Patrícia Esquível, Inês Patrão, Luis Miguel da Silva Barbosa, Albino Ramos, Daniel Almeida, Ricardo Campos, Ricardo Leitão, Vítor Filipe, João Bastos, Natália Ribeiro, André Balças, Hugo Domingues Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego Bio: Alice Ramos licenciou-se em Sociologia no ISCTE e obteve o mestrado em Ciências Sociais no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL). Doutorou-se em Ciências Sociais, especialidade de Sociologia Geral, no ICS-UL, com a tese Human Values and Opposition towards Immigration in Europe, onde analisa o impacto de factores individuais e de contextos sociais nas atitudes face aos imigrantes, na percepção de ameaça a eles associada e no preconceito racial. Presentemente, é investigadora auxiliar no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Os seus interesses de investigação têm-se centrado no cruzamento de duas linhas de pesquisa: a) o impacto da articulação entre factores individuais (valores e atitudes) e estruturas sociais no desenvolvimento de atitudes discriminatórias, nomeadamente face aos imigrantes e refugiados, numa perspectiva multinível; b) metodologias de estudos trans-nacionais e longitudinais. Desde janeiro de 2018 é Coordenadora Nacional do European Social Survey-ERIC e do European Values Study. Em conjunto com Jorge Vala e Cicero Pereira fundou em 2009 a Escola de Verão de Métodos Avançados em Análise de Dados do ICS-ULisboa. Actualmente, é Coordenadora das Escolas de Verão/Inverno e vice-presidente da Comissão de Estudos Pós-Graduados do ICS-ULisboa.
Jul 22, 2020 1 hr 44 min

#92 Henrique Leitão - Os mitos surpreendentes da História da Ciência

Henrique Leitão, doutorado em Física, Prémio Pessoa em 2014, é investigador em História da Ciência, sendo actualmente Presidente do Departamento de História e Filosofia da Ciência da Universidade de Lisboa (FCUL). Interessa-se, em particular, pela história das ciências exactas nos séculos XV-XVII, pela história da ciência em Portugal e pela história do livro científico. -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar Foi uma conversa fascinante e surpreendente, esta, uma daquelas que me fizeram olhar com outros olhos para a História - neste caso a da Ciência - e até mesmo para o mundo em que vivemos. O Henrique já me tinha sido recomendado há muito tempo, mas confesso que fui hesitando, basicamente por recear que a História da Ciência fosse já um tema demasiado explorado, e sem grande matéria para discussão no podcast. Isto, claro, para além do interesse das descobertas científicas propriamente ditas e do trabalho das grandes figuras de referências. Não podia estar mais enganado! Na verdade, a História da Ciência, sobretudo a História de como, a partir do século XVI houve uma transição para aquilo a que chamamos Ciência Moderna, tem muito que se lhe diga. E esta área da Historiografia ganhou uma nova vida nos últimos 50/60 anos; nova vida essa da qual, falo por mim, tinha pouca noção. Neste último meio-século surgiu um debate intenso sobre uma série de factores que sobressaem numa análise mais fina e ampliada daqueles tempos e que eram, até ali, ignorados ou subvalorizados; aspectos que que nos fazem perceber que as transformações que ocorreram naquele período são muito mais complexos do que a história que nos é habitualmente contada, do surgimento, quase que por geração espontânea, de um modo diferente de olhar e estudar o mundo natural. Nesta conversa, percorremos uma série desses aspectos; por exemplo: Será que os grandes nomes da chamada Revolução Científica pensavam como os cientistas actuais? O que dizer, por exemplo, da paixão de Newton pela alquimia, ou pela cronologia bíblica? Qual foi o motor daquela transição: um pequeno número de génios e momentos de inspiração, ou uma mudança mais transversal na organização da sociedade e na maneira como as pessoas olhavam o mundo? E essa transição ocorreu exclusivamente em alguns países do centro da Europa, ou foi um fenómeno pan-europeu? Que influência tiveram, por exemplo, os descobrimentos? E como é que áreas como a Astronomia já tinham dado o grande salto para a modernidade em meados do sec XVII, enquanto a Biologia, por exemplo, teve de esperar mais dois séculos para uma verdadeira mudança de paradigma? E, por fim, se a História é tão complicada e cheia de matizes, será que ainda faz sentido falarmos de uma Revolução Científica, ocorrida entre 1500 e 1700? Foram estas e outras perguntas que discutimos, numa conversa que foi um pouco mais ziguezagueante do que o habitual (sorry!). Índice da conversa: Que tipo de História é, afinal, a História da Ciência? A visão simplista da História da Ciência, e da “Revolução Científica”, que ainda hoje nos é transmitida Limitação #1: Os primeiros cientistas não pensavam, em muitos aspectos, como nós O desconforto que nos cria o interesse de Newton pela alquimia Os preconceitos de Darwin Limitação #2: A influência do contexto cultural e social em que actuavam os primeiros cientistas no tipo de Ciência que fizeram Frances Yates (historiadora de ciência) Boris Hessen (historiador de ciência) - "As Raízes Sócio-Económicas dos Principia de Newton" O (alegado) papel do protestantismo no lançamento da Ciência Moderna A herança pré-moderna: Europa medieval, mundo Árabe Limitação #3: O papel fulcral dos artesãos na criação da Ciência Moderna Alexandre Koyré (historiador de ciência) Edgar Zilsel (historiador de ciência) Francis Bacon Limitação #3(b): As grandes descobertas científicas enquanto produto de saberes e debates partilhados num contexto social alargado O papel de Galileu Limitação #4: O papel da herança grega e da visão judaico-cristã na criação de um modo diferente de olhar para o mundo natural, já presente na Idade Média Os perigos e as limitações da pulsão relativizadora da Historiografia Limitação #5: Como a ciência convive com teorias parcialmente erradas até encontrar melhor Thomas Kuhn (filósofo de ciência) Ciência feita vs. o processo através do qual se faz ciência Como é possível que a Revolução Científica tenha surgido precisamente num período tão marcado por conflitualidade e fechamento na Europa? Limitação #6: A transição para a modernidade científica enquanto fenómeno pan-europeu, e não apenas localizado num pequeno conjunto de países protestantes O papel dos descobrimentos na primeira fase desta transição (Sec XVI) Pedro Nunes, Frei Heitor Pinto A importância fulcral da experiência directa de milhares de pessoas com lugares distintos na mudança da relação mental com a natureza A revolução ocorrida na Iberian Science nas últimas décadas Porque é que Portugal não fui, depois, um ator principal na ciência do século XVII em diante? O desenvolvimento da Ciência na Europa beneficiou de contributos do oriente (China, Japão)? O que é especial (ainda hoje) na cultura europeia A importância da inscrição social da ciência e da curiosidade pelo mundo natural Limitação #7: As mudanças de paradigma não ocorreram na mesma altura e ao mesmo ritmo nos diferentes ramos da Ciência Sendo assim, ainda faz o não sentido falar de uma Revolução Científica? Mistérios em torno da Revolução Industrial Livro recomendado: Galileu, Cortesão - A Prática da Ciência na Cultura do Absolutismo, de Mario Biagioli Obrigado aos mecenas do podcast: Paulo Peralta, Eduardo Correia de Matos, João Baltazar, Salvador Cunha, Rui Oliveira Gomes, Tiago Leite, Joana Faria Alves, Carlos Martins, Corto Lemos, Margarida Varela, Gustavo, Goncalo Machado Monteiro, Filipe Bento Caires, Rui Barbosa, Sérgio Vicente Tomás Costa, Tiago Neves Paixão, Joao Saro, Rita Mateus, Daniel Correia, António Padilha, Abilio Silva, Ricardo Duarte, Tiago Queiroz, Joao Salvado, Francisco Fonseca, João Nelas, Diogo Sampaio Viana, Rafael Santos, Carmen Camacho, José Soveral, Andre Oliveira, José Jesus, Ana Sousa Amorim, Luís Costa, Sara Mesquita, João Bernardino, Manuel Martins Vasco Sá Pinto, Rui Baldaia, Luis Quelhas Valente, Rui Carrilho, João Castanheira, Luis Marques, Joana Margarida Alves Martins, Tiago Pires, Francisco dos Santos, João Raimundo, Renato Vasconcelos, Marta Baptista Coelho, Hugo Correia, Mariana Barosa, Miguel Palhas, Pedro Rebelo, Nuno Gonçalves, rodrigo brazão, Pedro, Vasco Lima, Tomás Félix, José Carlos Abrantes, Duarte, José Galinha, José Oliveira Pratas, isosamep, João Moreira, Joao Pinto, Pedro alagoa, Francisco Aguiar, José Proença, Joao Diogo, JP, Marco Coelho, João Diogo Silva, Jose Pedroso, António Amaral, João pinto, Rodrigo Murteira Pedrosa, João Jaime, João Crispim, Ricardo Nogueira, Margarida Gonçalves, Miguel Lamela, Andrea Grosso, João Pinho, Andre Peralta Santos, Abílio Mateus, Paulo dos Santos, Telmo, Cátia João Prudêncio, Sérgio Catalão, joao Martins, Luis Filipe, Jose António Moreira, João Barbosa, Fonsini, Maria Francisca Couto, Carlos Magalhães Lima, Renato Mendes, Andreia Esteves, Alexandre Freitas, Tiago Costa da Rocha, Francisco Santos, Pedro F. Finisterra, Guilherme Pimenta Jacinto, Antonio Albuquerque, Fernando Sousa, juu-san, joana antunes, Francisco Vasconcelos, Gabriela, Paulo Ferreira, MacacoQuitado - Twitter, Pedro Correia, Francisco López Bermudez, Nuno Almeida, Carlos Silveira, Bruno Lamas, Francisco Manuel Reis, Diogo Rombo, Francisco Rocha, Fábio Mota, Diogo Silva, Tiago Gameiro, Pedro Conceição, Patrícia Esquível, Inês Patrão, Luis Miguel da Silva Barbosa, Albino Ramos, Daniel Almeida, Ricardo Campos, Ricardo Leitão, Vítor Filipe, João Bastos, Natália Ribeiro, André Balças, Hugo Domingues Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego Bio: Henrique Leitão, a quem foi atribuído o Prémio Pessoa 2014, tem vindo a desenvolver intenso trabalho na área da história da ciência. É doutorado em Física e actualmente Presidente do Departamento de História e Filosofia da Ciência (FCUL). Interessa-se, em particular, pela história das ciências exactas nos séculos XV-XVII, pela história da ciência em Portugal e pela história do livro científico. É autor de vasta bibliografia sobre estes temas. É membro efectivo da Académie Internationale de Histoire des Sciences e é o representante de Portugal na Division of the History of Science and Technology, da International Union of History and Philosophy of Science. Entre outras associações nacionais, é sócio efectivo da Academia das Ciências de Lisboa e sócio emérito da Academia de Marinha. Coordena a comissão científica encarregue de publicar a obra completa de Pedro Nunes. Das suas traduções, destaca-se a tradução, pela primeira vez em Portugal, da obra emblemática de Galileu, Sidereus Nuncius. O Mensageiro das Estrelas (Fundação Calouste Gulbenkian, 2010). Recebeu uma Advanced Grant do European Research Council em 2019.
Jul 08, 2020 1 hr 50 min

#91 Luís Aguiar-Conraria - A visão de um ‘liberal de esquerda’, a importância e apostar na educação & muito mais

Professor de Economia na Universidade do Minho, doutorado em Economia pela Cornell University, investigação nas áreas da macroeconomia e da economia política. Colunista regular na imprensa, actualmente no Expresso. -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar Este episódio é, de certa forma, duas conversas numa só. A primeira parte foi mais típica; falámos sobre alguma da investigação mais marcante do convidado nos últimos anos, que até é mais na área da ciência política. Por exemplo, o efeito de diferentes tipos de quóruns em referendos ou a interação entre o desempenho da economia e a justiça procedimental enquanto determinantes do voto nos governos incumbentes. Podem parecer temas algo áridos, mas garanto que as conclusões são bem interessantes. Estes papers foram feitos, aliás, em conjunto com Pedro Magalhães, que foi convidado logo no episódio seis do podcast. A segunda parte da conversa, isoladamente, podia ser um dos episódios da série Orientações Políticas que tenho gravado com diferentes convidados. Falámos sobre a visão do Luís, que se descreve como um ‘liberal de esquerda’, uma combinação invulgar que talvez explique porque é que consegue o feito raro de ter leitores de simpatias políticas muito diferentes. Isso e, talvez, o facto de não cair no perfil típico de muitos colunistas da nossa praça -- mesmo alguns dos mais persuasivos -- que apenas escrevem artigos de esquerda, ou de direita, ou contra o PS ou a defender o governo; isto é, apenas escrevem para a sua tribo, e tipicamente de uma posição moralmente superior. Esta segunda parte foi, por isso, muito mais uma discussão de ideias, sem um guião pré-definido. Falámos de temas tão diferentes como o salário mínimo e a flexibilidade do mercado de trabalho, as dificuldades do cronista regular de jornal e, a minha parte preferida da conversa, a importância da educação, e o modo como ajuda a explicar, mais ainda do que podemos achar, o atraso relativo do país. Índice da conversa: Investigação do convidado Referendos (com Pedro Magalhães: um, dois Referendo em Itália em 2005 sobre fertilização invitro Voto económico Paper sobre o voto económico nas autárquicas Política e economia “O que é isso de ser um ‘liberal de esquerda’?” Economia pública vs Teoria da Escolha Pública Aumento do salário mínimo e Monopsónio. Pedro Portugal Concorrência e concertação entre empresas Papel dos reguladores Fiscalidade A racionalidade (ou amoralidade) característica dos economistas Os desafios de escrever regularmente nos jornais Blog Ladrões de Bicicletas O tribalismo na política Mercado de trabalho “O mercado de trabalho em Portugal é demasiado rígido, ou, pelo contrário, já é mais flexível do que devia ser?” Texto de Ricardo Reis Mário Centeno - O Trabalho, uma visão de mercado O caso dos docentes universitários Educação / ensino “Temos um PIB alto para o nível de escolaridade da população” Escolaridade da população Público vs Privado Gestão da Escola Pública durante a pandemia e a evidência do impacto da ausência de aulas sobre o futuro dos alunos Os custos escondidos da pausa nas aulas Os benefícios de trabalhar numa empresa com um nível de escolaridade médio elevado Livro recomendado: “Beyond the Invisible Hand: Groundwork For A New Economics”, de Kaushik Basu Obrigado aos mecenas do podcast: Paulo Peralta, Eduardo Correia de Matos, João Baltazar, Salvador Cunha, Tiago Leite, Joana Faria Alves, Carlos Martins, Corto Lemos, Margarida Varela, Gustavo, Goncalo Machado Monteiro, Sérgio Vicente Tomás Costa, Tiago Neves Paixão, Joao Saro, Rita Mateus, Daniel Correia, António Padilha, Abilio Silva, Ricardo Duarte, Tiago Queiroz, Joao Salvado, Francisco Fonseca, João Nelas, Diogo Sampaio Viana, Rafael Santos, Carmen Camacho, José Soveral, Andre Oliveira, José Jesus, Ana Sousa Amorim, Luís Costa, Sara Mesquita, João Bernardino, Manuel Martins Vasco Sá Pinto, Rui Baldaia, Luis Quelhas Valente, Rui Carrilho, João Castanheira, Luis Marques, Joana Margarida Alves Martins, Tiago Pires, Francisco dos Santos, João Raimundo, Renato Vasconcelos, Marta Baptista Coelho, Hugo Correia, Mariana Barosa, Miguel Palhas, Pedro Rebelo, Nuno Gonçalves, rodrigo brazão, Pedro, Vasco Lima, Tomás Félix, José Carlos Abrantes, Duarte, José Galinha, José Oliveira Pratas, isosamep, João Moreira, Joao Pinto, Pedro alagoa, Francisco Aguiar, José Proença, Joao Diogo, JP, Marco Coelho, João Diogo Silva, Jose Pedroso, António Amaral, João pinto, Rodrigo Murteira Pedrosa, João Jaime, João Crispim, Ricardo Nogueira, Margarida Gonçalves, Miguel Lamela, Andrea Grosso, João Pinho, Andre Peralta Santos, Abílio Mateus, Paulo dos Santos, Telmo, Cátia João Prudêncio, Sérgio Catalão, joao Martins, Luis Filipe, Jose António Moreira, João Barbosa, Fonsini, Maria Francisca Couto, Carlos Magalhães Lima, Renato Mendes, Andreia Esteves, Alexandre Freitas, Tiago Costa da Rocha, Francisco Santos, Pedro F. Finisterra, Guilherme Pimenta Jacinto, Antonio Albuquerque, Fernando Sousa, juu-san, joana antunes, Francisco Vasconcelos, Gabriela, Paulo Ferreira, MacacoQuitado - Twitter, Pedro Correia, Francisco López Bermudez, Nuno Almeida, Carlos Silveira, Bruno Lamas, Francisco Manuel Reis, Diogo Rombo, Francisco Rocha, Fábio Mota, Diogo Silva, Tiago Gameiro, Pedro Conceição, Patrícia Esquível, Inês Patrão, Luis Miguel da Silva Barbosa, Albino Ramos, Daniel Almeida, Ricardo Campos, Ricardo Leitão, Vítor Filipe, João Bastos, Natália Ribeiro, André Balças, Hugo Domingues Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego Bio: Luís Aguiar Conraria é doutorado em Economia pela Cornell University, mestre pela Universidade do Porto e licenciado em Economia pela Universidade de Coimbra. Desde 2005 que é professor de economia na Universidade do Minho. Já exerceu diversos cargos, dos quais se destaca o de director do Departamento de Economia. Actualmente é vice-presidente para a Investigação e Internacionalização da Escola de Economia e Gestão da UMinho. A sua investigação desenvolve-se na área de Macroeconomia, Economia do Ambiente, Economia Política e Métodos Quantitativos de Previsão. Recentemente começou a debruçar-se sobre a sustentabilidade da segurança social e os problemas da desigualdade de género no mercado laboral. Tem dezenas de artigos publicados em algumas das melhores revistas científicas internacionais, como o Journal of Money Credit and Banking, Energy Economics, American Journal of Political Science, Journal of Economic Dynamics and Control, entre várias outras. Em 2011 recebeu o Prémio Gulbenkian para a Internacionalização das Ciências Sociais. A nível de consultoria destaca-se a participação nas equipas que elaboraram o Estudo sobre a Poupança em Portugal — trabalho encomendado pela Associação Portuguesa de Seguradores em 2011 ― e o Parecer à Introdução à Conta Geral do Estado de 2009 — trabalho encomendado pelo Tribunal de Contas em 2010.
Jun 24, 2020 1 hr 49 min

#90 Paulo Gama Mota - O mito de que a evolução produz adaptações perfeitas & muito mais

Como prometido, a 2ª parte da conversa com o biólogo Paulo Gama Mota. Paulo Gama Mota é biólogo, doutorado e professor na Universidade de Coimbra. Os seus interesses científicos têm sido o estudo do comportamento animal e a compreensão das suas causas evolutivas. O convidado foi também Director do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra até 2015, e é actualmente presidente da Sociedade Portuguesa de Etologia. -> Apoie este projecto e faça parte da comunidade de mecenas do 45 Graus em: 45graus.parafuso.net/apoiar Depois de, na primeira conversa, temos feito uma espécie de “viagem de reconhecimento” pela Biologia Evolutiva, nesta pudemos ir mais fundo em alguns aspectos deste fenómeno complexo. Começámos por falar de uma das áreas de investigação do Paulo: as causas evolutivas para os comportamentos característicos de cada espécie, muitos deles em resultado da selecção sexual — como vão ver, a variedade de comportamentos é imensa. Isso levou-nos a falar do desenvolvimento da inteligência, e do estranho caso de alguns cefalópodes, como o polvo, um animal espantosamente inteligente mas tão distante de nós que há quem lhe chame “o mais próximo de uma inteligência alienígena que podemos encontrar”. Na 2ª metade da conversa, falámos de aspectos mais gerais da evolução por selecção natural, onde as coisas nem sempre são o que parecem. Discutimos, por exemplo, o mito de que a selecção natural produz sempre adaptações perfeitas (o que está longe de ser verdade) e uma proposta ainda mais contra-intuitiva: será que há características que evoluíram por por acaso, e não por seleção? Tudo isto devidamente condimentado por exemplos e perguntas que continuam por responder. Índice da conversa: Comportamento e ecologia comportamental Tipos de causalidade na Biologia Ensaio de Peter Medawar Seleção social (para lá da seleção sexual) Espécies que desenvolvem plasticidade de comportamento O cérebro enquanto adaptação flexível ao ambiente Os polvos que fundiam propositadamente as luzes do laboratório O que explica que o cérebro se tenha desenvolvido em algumas espécies (como a nossa)? Experiência referida de privação de comida: Minnesota Starvation Experiment O papel da sinalização na seleção sexual e noutros tipos de comportamento Papel da seleção por arrasto Sinalização sexual O caso dos auklets, aves do Alasca Comportamentos “inter-específicos” (entre espécies) Exemplo das gazelas que sinalizam aos predadores Animais que imitam predadores Estratégias sexuais dos cabozes (peixes) Aspectos gerais da evolução Mito de que a selecção natural produz adaptações perfeitas O caso do polegar do panda Livro: O Jogo dos Possíveis, de François Jacob O caso do olho humano (também abordado no 1º episódio) Why every human has a blind spot - and how to find yours Outro teste Do it yourself do Exploratório de São Francisco Paisagem adaptativa O exemplo dos dodos Especialização e interdependência entre espécies Órgãos vestigiais O caso do apêndice humano Porquê os tubarões não têm bexiga natatória (ao contrário dos peixes) Será que há características que evoluíram por deriva genética e não por seleção? A teoria da evolução por mutações neutras (Motoo Kimura) A tradição do “mergulho para o solo” da tribo dos Vanuatu A tradição da tribo que come o cérebro dos adversários mortos A tribo que tem cegueira de cor Será o homo sapiens um caso neotenia (tipo de heterocronia)? Sê-lo-ão os cães? Livros recomendados: A Evidência da Evolução, de Jerry A. Coyne Improbable Destinies: Fate, Chance, and the Future of Evolution (Inglés) First Edition Edición, de Jonathan B. Losos Comentário do convidado sobre o ‘dilema obstétrico’ abordado no episódio anterior “Há dois aspectos que tiveram desenvolvimentos desde a hipótese do dilema obstétrico de Washburn, que sugeria uma relação entre tamanho da pélvis e nascimento precoce. A pélvis seria constrangida pela locomoção e o nascimento precoce por causa do canal. Estudos anatómicos sugerem que a pélvis mais larga não causa uma locomoção mais difícil. MAs, há outros aspectos relacionados com a tensão no colo do fémur, que não permitem conclusões definitivas. Por outro lado, as comparações com Australopitechus são difíceis, do ponto de vista da biomecânica. Mas, há uma nova hipótese que tem menos a ver com o parto e mais com a gravidez. Uma pélvis larga dá menos sustentação ao feto e pode mais facilmente originar partos prematuros. Nascimento precoce - Dunsworth propôs que o problema não seria o tamanho do feto, mas o custo energético. Do que li, faz sentido, mas não inviabiliza o problema do tamanho da cabeça, que é proporcionalmente enorme, na nossa espécie, às 36 semanas (junto artigo que dá uma ideia). E o custo energético também não explica porque há tantos partos que correm mal na nossa espécie, ao contrário dos outros primatas. Acho que a hipótese de Washburn continua de pé, ainda que não seja toda a explicação. Há um aspecto interessante que revela que o parto humano evoluiu em sociedades com sobreposição de gerações e forte apoio entre indivíduos do sexo feminino. Os nossos bébés são os únicos que nascem com a cabeça virada para a parte posterior da mãe. Em todos os outros primatas a cria nasce virada para o umbigo da mãe. E isso faz toda a diferença, porque esta pode ajudar o parto puxando para si. No caso humano isso poderia ser fatal, porque dobrava a cabeça para trás. Ou seja: o parto tem que ter ajuda de terceiros.” Obrigado aos mecenas do podcast: Carlos Martins, Corto Lemos, Joana Faria Alves, João Baltazar, Mafalda Lopes da Costa, Rogério Jorge, Salvador Cunha, Tiago Leite, Rui Oliveira Gomes, Duarte Dória, Margarida Varela Abilio Silva, António Padilha, Carmen Camacho, Daniel Correia, Diogo Sampaio Viana, Francisco Fonseca, Helder Miranda, Joao Saro, João Nelas, Mafalda Pratas, Rafael Melo, Rafael Santos, Ricardo Duarte, Rita Mateus, Tiago Neves Paixão, Tiago Queiroz, Tomás Costa, José Soveral, João Almeida, André Oliveira, João Silveira, Miguel Cabedo e Vasconcelos, Joao Salvado, José Jesus, Ana Sousa Amorim, Manuel Martins, Maria Joao Braga da Cruz, Luis Belchior, João Bernardino, Sara Mesquita, Nuno Tiago Samelo, Ricardo Ribeiro Duarte, Filipe Ribeiro, Francisco Aguiar , Francisco Arantes, Francisco dos Santos, Francisco Vasconcelos, Henrique Lopes Valença, Henrique Pedro, Hugo Correia, isosamep, Joana Margarida Alves Martins, Joao Diogo, Joao Pinto, Jose Pedroso, José Galinha, José Oliveira Pratas, JosÉ Proença, JoÃo Diogo Silva, JoÃo Moreira, JoÃo Raimundo, Luis Ferreira, Luis Marques, Luis Quelhas Valente, Marco Coelho, Mariana Barosa, Marise Almeida, Marta Baptista Coelho, Marta Madeira, Miguel Coimbra, Miguel Palhas, Nuno Gonçalves, Nuno Nogueira, Pedro, Pedro alagoa, Pedro Rebelo, Pedro Vaz, Renato Vasconcelos, Ricardo Delgadinho, rodrigo brazÃo, Rui Baldaia, Rui Carrilho, Rui Passos Rocha, Telmo, Tiago Costa da Rocha, Tiago Pires, Tomás Félix, Vasco Lima, Vasco Sá Pinto, Vitor Filipe, Ricardo Nogueira, Alexandre Almeida, Francisco Arantes, João Crispim, Paulo dos Santos, Élio Mateus, André Peralta Santos, João Pinho, Paulo Fuentez, Simão Morais, Andrea Grosso, Robertt, Fonsini, João Barbosa, Jose António Moreira, Luís Pereira, João Martins, Sérgio Catalão, Vasco Faden Araujo, João Castanheira, Cátia Prudêncio, Telmo Damião, Gerson Castro, Rodrigo Murteira Pedrosa, Alexandre Freitas, Andreia Esteves, Renato Mendes, Carlos Magalhães Lima, Maria Francisca Couto, Tomás Santos, Antonio Albuquerque, Natália Ribeiro, Pedro F. Finisterra, Francisco Santos, João M. Bastos, Rita Branco, Inês Grosa, Lara Pimentel, Natália Ribeiro, Joana Antunes, Lara Luís, Nelson Lopes, João Bastos, Nelson Poças, Tânia Marques, Fernando Sousa, Francisco López Bermúdez, Pedro Correia, Tiago Chança, MacacoQuitado, Paulo Ferreira, João Aires, Gabriela, Carlos Silveira, Ricardo Campos, Sérgio Vicente, Nuno Almeida, Mauro Ribeiro, Francisco Rocha, Inês Braga, André Balsas, Francisco Manuel Reis, Ricardo Leitao, Bruno Lamas, Danel Almeida, Albino Ramos, Inês Patrão, Luís Barbosa, Pedro Conceição, Patrícia Esquível, Telmo Felgueira, Mike Osaka, Tiago Gameiro Esta conversa foi editada por: Martim Cunha Rego Bio: Doutorado pela Universidade de Coimbra e Professor Associado, com agregação, do Departamento de Ciências da Vida da FCTUC. Os seus interesses científicos têm sido o estudo do comportamento animal e a compreensão das suas causas evolutivas, incluindo a nossa espécie. Em especial, interessa-se pela evolução de sinais sexuais, como a coloração nas aves, e a comunicação animal. Publica regularmente nas revistas mais importantes de comportamento animal e evolução. É investigador do CIBIO, onde coordena o grupo de investigação em Ecologia Comportamental e é Presidente da Sociedade Portuguesa de Etologia. A par da sua actividade científica e de ensino, interessou-se pela comunicação de ciência, aspecto que considera essencial na actividade de um cientista. Foi director do Museu Antropológico da FCTUC, do Museu Nacional da Ciência e da Técnica, e responsável pelo projecto e Director do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra (2006-2015), que recolheu inúmeros prémios nacionais e internacionais, pela excelência do projecto e da sua actividade. Comissariou várias exposições de ciência e coordenou vários projectos de ciência cidadã, sempre com a preocupação de aproximar os cidadãos da ciência.